Cetogênica e Diabetes Tipo 1 e 2

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Cetogênica e Diabetes Tipo 1 e 2

DIETA CETOGÊNICA E A DIABETES TIPO 1 E 2

 Hoje falaremos sobre diabetes.

Em 14/11/2019 – dia internacional da diabetes – a International Diabetes Federation divulgou um relatório com a informação que 463 milhões de pessoas no mundo são portadores de diabetes.

Esse relatório também revelou que:

  • 01 em cada 11 adultos vive com diabetes;
  • Em 2019, estima-se que 463 milhões de pessoas tenham diabetes;
  • Prevê-se que o número total de pessoas com diabetes aumente para 578 milhões em 2030 e para 700 milhões em 2045;
  • 374 milhões de adultos têm tolerância à glicose prejudicada (resistência à insulina), colocando-os em alto risco de desenvolver diabetes tipo 2;
  • O diabetes foi responsável por cerca de US $ 760 bilhões em gastos com saúde em 2019;
  • O diabetes está entre as 10 principais causas de morte, com quase metade das mortes ocorrendo em pessoas com menos de 60 anos;
  • Três em cada quatro pessoas com diabetes (352 milhões) têm idade ativa (20-64 anos).

O relatório também mostra que o Brasil ocupa o 4º lugar no top 10 mundial de países com mais pessoas diabéticas, mostrou ainda que o nosso país está em crescimento acelerado da doença.

Os números são espantosos, não é mesmo?!

Por isso precisamos dedicar uma atenção especial a esse tema tão delicado.

Dado esse panorama mais recente sobre os números da diabetes no mundo e no Brasil, vamos a seguir definir o que é diabetes, o que é diabetes tipo 1 e 2 e como a dieta Cetogênica pode ser uma aliada no tratamento da doença.

 

O QUE É DIABETES?

Diabetes é uma doença crônica, caracteriza pela incapacidade total ou parcial do corpo de produzir insulina ou de usar a insulina que produz de forma adequada.

Mas o que é insulina?

Insulina é um hormônio produzido pelo corpo humano através do pâncreas, o pâncreas é o órgão responsável pela produção da insulina.

A insulina é responsável por controlar os níveis de glicose no sangue.

Quando fazemos uma refeição, por exemplo, e recebemos glicose através do alimento a insulina é liberada em nosso corpo, a função dela é levar essa glicose que está no sangue até as células.

A diabetes é classificada em diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2.

 

O QUE É A DIABETES TIPO 1? 

A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que é diagnosticada geralmente na infância, mas também pode ser diagnostica na fase adulta.

Ela representa de 5% a 10% da quantidade de pessoas com diabetes no mundo.

Nela o corpo é incapaz de produzir insulina, esse sistema não funciona.

Como todas doenças autoimunes o sistema imunológico identifica uma substância natural do organismo e a caracteriza como nociva e então passa a atacá-la. Isso é o que acontece também na diabetes tipo 1.

No caso da diabetes tipo 1 o sistema imunológico ataca as células do pâncreas, o danificando ao ponto de parar a produção da insulina.

Como o corpo não produz insulina é necessário recorrer a insulina injetável para regular os níveis de glicose (açúcar) no sangue.

As causas da diabetes tipo 1 não estão plenamente definidas pela ciência.

A ciência não sabe ou certo o que desencadeia esse ataque, mas está ligado a genética, infecções virais na infância e raramente pode haver relação com pancreatite (que é uma doença que causa inflamação do pâncreas) o que resultaria em danos na produção de insulina. Contudo, a diabetes tipo 1 não tem uma causa clara.

 

O QUE É A DIABETES TIPO 2 

Diferente da diabetes tipo 1, a diabetes tipo 2 tem suas causas bem definidas.

A diabetes tipo 2 corresponde a 90% do total de pacientes com diabetes.

Na diabetes tipo 2, o corpo produz insulina, mas não consegue usá-la corretamente ou o corpo não produz insulina suficiente para controlar a glicemia da corrente sanguínea.

Antes de desenvolver a diabetes do tipo 2, o corpo dá sinais e faz o suficiente para que a pessoa não fique diabética, mas caso esses sinais sejam ignorados, infelizmente o diagnóstico de diabetes tipo 2 virá em algum momento.

As causas e sinas da diabetes tipo 2 estão ligadas a uma alimentação rica em carboidratos e sedentarismo, esses hábitos levam primeiramente a uma resistência à insulina.

Clique aqui para ler sobre resistência à insulina e emagrecimento.

A função da insulina é levar a glicose dos alimentos para as células.

Quando a alimentação é rica em carboidratos e açucares, o corpo se vê obrigado a cada vez produzir mais insulina para tentar retirar todo esse excesso de glicose do sangue para que você não fique diabético.

Quando esse mecanismo é ativado de forma constante, ou seja, a alimentação é sempre rica em carboidratos e o corpo de forma constante é obrigado a produzir cada vez mais insulina, as células começam a ficar resistentes a esse mecanismo, ou seja, as células já estão cheias de glicose e não aceitam mais tão bem assim receber cada vez mais glicose e, é isso que a ciência chama de resistência à insulina.

Os sinais de resistência à insulina são: ganho de peso, circunferência abdominal alta, manchas escuras na pele nas regiões da axila, pescoço e dobras de braços e pernas (acantose nigricans), acne, pelos em excesso, gordura no fígado, hipertensão, fadiga em excesso dentre outros.

A resistência à insulina pode ser diagnosticada através de exame de sangue, o exame de hemoglobina glicada. Se você estiver com dúvidas se tem resistência à insulina você pode pedir para o seu médico ou nutricionista esse exame.

Assim como uma máquina, algo que é forçado demais, exigido demais, acaba quebrando e, quando esse seu sistema de produção versos utilização da insulina “quebra”, aí vem o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Já que as células não aceitam mais receber a glicose, a insulina não consegue mais desempenhar a função dela, então a glicose fica em altos níveis no sangue e o paciente acaba se tornando um diabético do tipo 2.

A boa notícia é que a resistência à insulina e a pré-diabetes podem ser curadas através da alimentação e, a diabetes tipo 2 pode ser melhorada e controlada com uma dieta de baixo carboidrato.

É disso que vamos falar a partir de agora, de como a dieta Cetogênica pode ajudar no tratamento da diabetes tipo 2

 

DIETA CETOGÊNICA NO TRATAMENTO DAS DIABETES TIPO 1 E DIABETES TIPO 2.

Agora que já entendemos o que é diabetes e o que é diabetes tipo 1 e 2, bem como suas causas, vamos falar sobre como a dieta Cetogênica pode ajudar no tratamento da diabetes tipo 1 e 2.

Vamos começar falando sobre a diabetes tipo 2 e em seguida falaremos da diabetes tipo 1, por favor, nos acompanhe até o final desse artigo

 

CETOGÊNICA E DIABETES TIPO 2.

Como vimos acima as causas da diabetes tipo 2 estão ligadas a alimentação.

A alimentação rica em carboidratos e açucares levam a diabetes tipo 2.

Já que a principal cauda da diabetes tipo 2 é uma alimentação rica em carboidratos a melhor forma de tratar a diabetes tipo 2 é com uma dieta com restrição de carboidratos, não é mesmo?!

Pois bem, a dieta Cetogênica é a melhor estratégia para tratar diabéticos do tipo 2 e pessoas com resistência à insulina prevenirem a diabetes.

Isso porque a Cetogênica é uma dieta com severa restrição de carboidratos, com apenas cerca de 20 gramas de carboidratos por dia.

Essa restrição de carboidratos levará o corpo a entrar em estado de cetose.

Entrar em estado de cetose significa que o corpo não ingere mais quantidades suficientes de carboidratos para produção de energia, então ele se vê na necessidade de buscar essa energia de outras fontes que são os corpos cetônicos produzidos através da gordura do próprio corpo e da gordura da dieta.

Estar em cetose é deixar de usar carboidratos como fonte de energia principal e passar a utilizar corpos cetônicos como fonte de energia principal.

E, é nesse ponto que a dieta Cetogênica auxilia no tratamento da diabetes tipo 2, porque o corpo não estará mais ingerindo o principal ingrediente que eleva a glicemia, que é o carboidrato.

No paciente com resistência à insulina, a dieta Cetogênica cura essa resistência e faz como que o corpo volte a aceitar de forma adequada a insulina produzida pelo próprio corpo, ou seja, o corpo volta a ser sensível a insulina.

Durante a dieta Cetogênica como não há a grande ingestão de carboidratos os níveis de glicemia ficam sempre baixos, o que permite ao corpo se regenerar, dar um alívio as células que estão carregadas de glicose, para que elas voltem a aceitar bem a insulina.

Estudos comprovam que com a dieta Cetogênica pacientes com diabetes tipo 2, tem seus níveis de glicemia normalizados, melhoram a resistência à insulina, têm a diminuição dos números da hemoglobina glicada e muitos abandonam as medicações, tudo isso apenas com o controle da alimentação através da dieta Cetogênica.

Outra vantagem da dieta Cetogênica é que num cardápio cetogênico são eliminados todos os alimentos que elevam a glicemia, e isso facilita o controle dos níveis de glicemia no sangue, facilitando a vida desses pacientes.

Para os pacientes com resistência à insulina que estão muito perto de desenvolver a diabetes tipo 2, a dieta Cetogênica é a solução, é a cura, é o que irá prevenir a diabetes tipo 2 nesses pacientes.

Uma pessoa com resistência à insulina precisa começar o tratamento o quanto antes, pois a diabetes seja tipo 1 ou 2 não tem cura.

Uma vez que o paciente se torna diabético, não tem mais volta, apenas controle.

Então, se você é ou suspeita que tem resistência à insulina comece a se tratar o quanto antes.

Além do controle dos níveis de glicose a dieta Cetogênica proporciona perda de peso que é outro fator complicador dos pacientes com resistência à insulina e diabetes tipo 2.

 

CETOGÊNICA E DIABETES TIPO 1.

Se você é um paciente de diabetes tipo 1, só deve iniciar a dieta Cetogênica com estrito acompanhamento médico, se você é um paciente de diabetes tipo 1 de forma alguma deve iniciar uma dieta Cetogênica por conta própria.

Diferente da diabetes tipo 2, onde os níveis de glicemia podem ser controlados através da alimentação, na diabetes tipo 1 obrigatoriamente os pacientes precisam de insulina injetável para cobrir todos os carboidratos que ingerem através da alimentação.

E esses pacientes precisam de insulina até quando não se alimentam, pois mesmo sem ingerir alimentos o fígado acaba liberando uma quantidade de glicose entre as refeições ou durante o sono e acaba sendo necessário injeção de insulina para normalizar os níveis de glicemia.

Assim como na diabetes tipo 2 a dieta Cetogênica pode auxiliar no tratamento da doença.

Antes de 27 de julho de 1921, quando a insulina foi descoberta, os pacientes eram tratados com dietas de baixo carboidrato, pois era comprovado que a dieta de baixo carboidratos reduzia os níveis de glicemia e assim mantinha a diabetes tipo 1 controlada.

O surgimento da insulina injetável permitiu aos pacientes com diabetes tipo 1, uma maior liberdade em relação a inclusão de carboidratos na dieta.

A Cetogênica manterá os níveis de glicemia controlados e diminuirá a necessidade de uso de medicamentos, mas de forma alguma a dieta Cetogênica irá curar um paciente com diabetes tipo 1.

Quando um paciente com diabetes tipo 1 inicia uma dieta de baixo carboidrato, automaticamente os níveis de glicemia desse paciente irão diminuir.

Com níveis de glicemia mais baixos ele irá precisar de menos doses de insulina.

Esse ajuste é muito sensível e deve ser feito apenas pelo médico responsável, o paciente jamais deve ajustar os valores da insulina injetável por conta própria, isso pode ser muito perigoso e até fatal.

Os portadores de diabetes tipo 1 devem ter muito cuidado com a dieta Cetogênica e devem fazê-la apenas por recomendação e acompanhamento médico e nutricional, para ir ajustando a quantidade de carboidrato da dieta com a dosagem de insulina a ser administrada.

Isso porque como já falamos, na dieta Cetogênica o corpo entra em estado de cetose através da produção de corpos cetônicos.

Estar em cetose é um estado natural do corpo e não oferece risco a saúde.

Já a cetoacidose diabética não é um estado natural do corpo e ela pode ser fatal.

A cetoacidose diabética corre quando um paciente tem um número elevado de corpos cetônicos (cetonas) na corrente sanguínea e ao mesmo tempo que ele também tem uma taxa de glicose muito elevada, ou seja, corpo cetônicos demais + glicose demais levam a cetoacidose diabética.

A cetoacidose diabética é um estado de emergência e o socorro médico deve ser imediato, caso contrário pode levar a morte do paciente.

É nesse ponto que entram os diabéticos tipo 1, a final eles não produzem insulina para controlar a glicemia.

Logo, se eles estão em cetose, como grande número de corpos cetônicos no corpo e estão com a glicemia alta, devido não ter usado a dosagem de insulina correta para retirar a glicose do sangue, esse paciente pode entrar em um estado de cetoacidose diabética, cetoacidose diabética ocorre quando o sangue fica acido demais e isso pode levar a morte do paciente.

Por essa razão que pacientes de diabetes tipo 1, só devem fazer a dieta Cetogênica com acompanhamento médico.

 

CONCLUSÃO

Nesse artigo tratamos a respeito da relação entre a dieta Cetogênica e a diabetes tipo 1 e tipo 2.

Vimos que a dieta Cetogênica é uma excelente aliada para tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 e pacientes com resistência à insulina.

Isso porque a dieta Cetogênica é uma dieta de baixíssimo carboidratos o que proporciona a esses pacientes manter os seus níveis de glicemia controlados e ajudam o corpo a voltarem a ser sensíveis a insulina.

Já os pacientes de diabetes tipo 1, também podem se beneficiar da dieta Cetogênica, mas com acompanhamento médico constante.

Por fim, se você é diabético tipo 1 ou 2 ou conhece alguém nessas condições que pretenda tratar a diabetes com dieta Cetogênica, o recomendando é ter um médico que lhe oriente em qual a forma mais segura de fazer a dieta Cetogênica.

 

Na dúvida, procure orientação do seu médico ou nutricionista.

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Nutricionista e trabalha com a área de emagrecimento. se dedica em tempo integral ao seu trabalho e procura se inovar sempre no segmento nutricional.

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© Bernardo Maia . Feito com ♥ por Agência Primage