ALZHEIMER E A LIGAÇÃO COM O AÇÚCAR

PrevNext
ALZHEIMER E A LIGAÇÃO COM O AÇÚCAR

ALZHEIMER E A LIGAÇÃO COM O AÇÚCAR

Texto adaptado de Maria Cross

https://medium.com/feed-your-brain/is-alzheimers-disease-type-3-diabetes-how-sugar-affects-the-brain-18f227d7389b

 

ISSO SE CHAMA DIABETES TIPO 3 – POR UM BOM MOTIVO

 

Mais de 80% das pessoas com doença de Alzheimer têm diabetes do tipo 2 ou níveis anormais de açúcar no sangue. A ligação entre as duas condições é tão próxima que os cientistas se referem à doença de Alzheimer como “diabetes tipo 3” .

As evidências que ligam a doença de Alzheimer ao diabetes são convincentes e se concentram na insulina, um hormônio secretado e liberado pelo pâncreas quando os alimentos (principalmente carboidratos) são consumidos.

Antes de entrarem no sangue, os carboidratos são quebrados no intestino em unidades de glicose. É assim que o açúcar no sangue é aumentado.

Os níveis de açúcar no sangue devem ser rigorosamente regulados. Demais ou de menos são situações potencialmente perigosas. Quanto mais glicose no sangue, mais o pâncreas produz insulina para diminuir essa glicose.

Quando o nível de açúcar no sangue está errado, é possível desenvolver resistência à insulina.

O corpo humano não foi projetado para lidar com a alta ingestão constante de açúcar – a resistência à insulina é um dos sinais dessa incapacidade. É descrita como uma condição “pré-diabética” que surge quando a metabolização da insulina dá errado. Basicamente, isso significa que a insulina começou a não fazer efeito, e a glicose permanece no sangue em vez de ser processada normalmente.

O corpo, sentindo que ainda há muito açúcar no sangue, bombeia ainda mais insulina, mas há pouco ou nenhum efeito. Se isso persistir por tempo suficiente, a resistência à insulina leva ao diabetes.

 

DO DIABETES TIPO 2 AO TIPO 3

Como isso está relacionado à doença de Alzheimer? Níveis altos de insulina podem interferir nos neurônios e afetar a função cognitiva, incluindo memória e concentração. Maior consumo de glicose também significa maior suscetibilidade a um processo conhecido como glicação.

Glicação é o elo entre diabetes e Alzheimer. É um processo pelo qual certas proteínas são danificadas quando expostas a altos níveis de glicose. Esse processo cria proteínas conhecidas como produtos finais de glicação avançada (AGEs).

Essas AGEs podem impedir que os neurônios funcionem corretamente. Uma pesquisa descobriu que o cérebro das pessoas com doença de Alzheimer tem altos níveis de AGEs em comparação com as pessoas sem a doença. A idade contribui para a formação de placas amilóides, uma característica do cérebro de pessoas com Alzheimer.

Em suma, uma dieta baseada em alimentos açucarados e carboidratos refinados gera resistência à insulina, que pode, por fim, dar origem à diabetes tipo 2 e, posteriormente, Alzheimer.

Sabemos disso desde a década de 1990, quando a literatura começou a surgir. O termo “diabetes tipo 3” foi cunhado pela primeira vez por pesquisadores que escreveram no Journal of Alzheimer’s Disease, em 2005, mas ganhou mais popularidade quando a revista New Scientist apresentou o tópico na capa da edição de 1º de setembro de 2012.

 

DIETA CETOGÊNICA, ALZHEIMER E DIABETES TIPO 3

A ligação entre açúcar no sangue e demência pode parecer alarmante, mas oferece uma enorme esperança. Isso porque o diabetes tipo 2 é uma doença relacionada a estilo de vida e, portanto, evitável.

Com mudanças dietéticas apropriadas, você pode reduzir suas chances de desenvolver diabetes tipo 2 – e, consequentemente, de diabetes tipo 3.

Você pode ter ouvido falar da dieta cetogênica. Originalmente, ela foi (e ainda é) usada para tratar pessoas com epilepsia. 

A dieta funciona extremamente bem. Ela é rica em gorduras e muito baixa em carboidratos, o que restringe bastante a quantidade de insulina e, portanto, a glicose no sangue. Sem carboidratos para queimar como combustível, o corpo passa a produzir, a partir da gordura, algo chamado corpos cetônicos.

“O exemplo mais notável de um tratamento dietético com eficácia comprovada contra uma condição neurológica é a dieta cetogênica (DC) com alto teor de gordura e baixo carboidrato.”

Não se trata apenas de epilepsia. A dieta cetogênica – ou com pouco carboidrato – também foi considerada terapêutica no tratamento de pessoas com comprometimento cognitivo leve (CCL), um estágio pré-Alzheimer.

Cientistas deram a 23 idosos uma dieta rica em carboidratos e para outro grupo baixa em carboidratos por seis semanas. No final do estudo, aqueles em dieta com baixo teor de carboidratos apresentaram melhora no desempenho da memória verbal, reduções no peso e na circunferência da cintura.

“Essas descobertas indicam que o consumo muito baixo de carboidratos, mesmo a curto prazo, pode melhorar a função de memória em idosos com risco aumentado para a doença de Alzheimer.”

Existem duas explicações possíveis para esses resultados encorajadores: primeiro, o alto nível de gordura na dieta repara os danos às células cerebrais. As cetonas produzidas a partir de gordura fornecem um combustível alternativo ao cérebro, no lugar da glicose. A segunda possibilidade é que a ausência de açúcar e carboidratos refinados na dieta inicia o processo de cicatrização e evita mais danos.

Vale ressaltar que as cetonas são produzidas no fígado a partir da gordura que você come ou armazena. Quando você muda para uma dieta muito baixa em carboidratos, seu corpo começa a queimar seus estoques de gordura e, consequentemente, você perde peso.

Em suma: a dieta cetogênica não apenas reduz a secreção de insulina e seu risco de desenvolver a doença de Alzheimer, mas também promove a perda de peso. 

 

MANTENHA A SIMPLICIDADE

Se você é saudável, mas deseja reduzir o risco de desenvolver diabetes e Alzheimer na velhice, não precisa seguir rigorosamente a dieta cetogênica; apenas elimine todos os carboidratos desnecessários e prejudiciais à saúde, especialmente qualquer coisa com adição de açúcar, incluindo refrigerantes. Até a variedade sem açúcar, adoçada com adoçantes artificiais, causa estragos no açúcar no sangue.

Ninguém precisa de açúcar. Ninguém precisa de biscoitos, bolos, doces, batatas fritas e refrigerante. Seu corpo só precisa de comida real e saudável. Você precisa de muita proteína – carne, peixe, ovos, queijo – e muitos vegetais para acompanhar essa proteína.

As necessidades alimentares humanas são surpreendentemente simples.

Outra coisa que você pode fazer é evitar lanches entre as refeições. Além de ser supérfluo para as necessidades alimentares, significa que a produção de insulina é constantemente estimulada. Ao se abster de comer um lanche, você descansa o pâncreas e o corpo pode começar a queimar gordura como combustível.

A doença de Alzheimer é uma doença complexa e existem muitas causas potenciais. Mas com os casos de Alzheimer e diabetes tipo 2 aumentando simultaneamente e a um ritmo alarmante, fazer mudanças na dieta que controlam a secreção de glicose e insulina pode ser uma boa saída para quem quer manter a boa saúde.

 

COMPARTILHAR O ARTIGO

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin

Nutricionista e trabalha com a área de emagrecimento. se dedica em tempo integral ao seu trabalho e procura se inovar sempre no segmento nutricional.

CONTATO

© Bernardo Maia . Feito com ♥ por Agência Primage